O preço da passagem de ônibus e o planejamento urbano

'Por Emilio Font

Na maioria das vezes que se fala sobre o preço das passagens de ônibus (tecnicamente chamada de tarifa pública) o mais comum é que lembremos do preço do combustível, dos pneus, dos veículos e sua manutenção, do salários dos motoristas e cobradores e até mesmo do lucro das empresas.

São todos itens importantes e que fazem parte da composição do preço das passagens, porém poucas pessoas costumam pensar e levar em consideração o peso do Planejamento Urbano (ou a falta dele) no preço das passagens.

Vamos tentar explicar de forma muito simples a importância do planejamento sobre as passagens de forma simplificada e usando valores arredondados para melhor compreensão.

Imagine que 4 amigos, que moram em um mesmo bairro, estão no centro da cidade,  resolvem pegar um táxi e fazer uma corrida de 5 quilometros até o bairro onde moram.

Dígamos que o táxi custe R$ 1,00 (um real) por quilômetro, o total da corrida será R$ 5,00, assim ao final da corrida cada amigo pagará R$ 1,25 (um real e vinte e cinco centavos) (R$1,25 X 4 = R$ 5,00).

Pois bem, agora imagine que a distância entre o centro da cidade e o bairro dos 4 amigos fosse 20 quilometros, pois bem a corrida custaria R$ 20,00 (vinte reais), neste caso cada amigo pagaria R$ 5,00 (cinco reais).

Bom, agora basta trocar o táxi por um ônibus! Porém, como nas cidades brasileiras o preço das passagens é o mesmo independente da distância percorrida pelo ônibus (tanto faz se você pegar um ônibus e descer 1 parada ou 20 paradas depois, o preço da passagem será o mesmo)  neste caso o preço da passagem por pessoa seria a média entre as duas corridas, assim seria algo como R$ 3,12.

O problema é que a maioria das pessoas mora longe de seu lugar de trabalho, ou mesmo escola e centros comerciais. Isso faz com que as distâncias percorridas todos os dias pelos ônibus sejam enormes, aumentando consideravelmente o valor das passagens.

Essa situação de pessoas morando longe de seus locais de trabalho é fruto principalmente da falta de Planejamento Urbano e muitas vezes da especulação imobiliária.

Falta de Planejamento Urbano significa que a cidade cresceu de forma desordenada, por exemplo com bairros enormes, somente com casas, longe de tudo: do trabalho, do comércio e até de escolas e postos de saúde. Isso obriga a existência de linhas de ônibus que percorrem grandes distâncias encarecendo o preço das passagens.

É por isso que muitos urbanistas defendem algumas coisas como: cidades mais compactas (onde os bairros fiquem mais juntos) e adensamento e verticalização dos centros urbanos (colocar mais pessoas morando em prédios no centro da cidade) fazendo com que as pessoas percorram distancias menores entre suas casas e local de trabalho.

Isso tudo sem falar no desconforto, perda de tempo e desgaste sofrido por milhões de pessoas todos os dias.

Por isso, um dos aspectos fundamentais para melhorar a qualidade de vida das pessoas e mesmo baratear o preço das passagens é fazer com que as prefeituras planejem o crescimento das cidades, adotando medidas tais como: evitar a construção de bairros isolados “longe de tudo”, incentivar que próximo desses bairros já existentes instalem-se mais comércio, fábricas, escritórios, escolas, postos de saúde entre outros.

São alguns exemplos do que pode ser feito, mas tão importante quanto é controlar a especulação imobiliária, assunto sobre o qual falaremos em outro post.

(este post faz parte de uma série que busca explicar em linguagem simples conceitos e ideias sobre arquitetura e urbanismo, seu conteúdo não tem o objetivo de manter a precisão da linguagem técnica ou acadêmica)

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